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O QUE É CIBER LITERATURA?
CIBER LITERATURA: Para mim , neófito no assunto,não passa de um bicho estranho.Novo para o meu convívio,que na qualidade de escritor, me proporcionou um veículo eficientíssimo, ágil,onde tenho veiculado meus trabalhos de cunho literário. Quero por meio desta mensagem agradecer à Secretaria de Educação, Cultura e Coordenação Digital de Santo André por me proporcionarem uma experiência tão gratificante como esta, ministrada brilhantemente pela educadora ELLY CHAGAS.
Escrito por Genocídio Geronso Garrafino às 21h29
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TALINHO MALINO DE MENEZE E
Para José Alcides Pinto
Talinho Malino de Menezes e Aristarci Vieira de Melo nunca se deram bem.Talinho detestava o jornalista , que a seu ver, metia o bico onde não lhe era pemitido. Aristarco, por sua vez, não era injusto, mas só se referia a Talinho Malino de Menezes no seu jornal, ‘Os Sertões’, com reservas. Mesmo assim, chegou a ser simpático a algumas de suas composições. Viu mesmo qualidades nos seus primeiros baiões. Passando a espinafrá-lo, quando o músico insuflado por um certo Astúrio Quiroga y Orozco e sua mulher, Berenice Oorozco Villas,naturais de Porto Rico,levaram alguns intelectuais baianos a se interessarem pelo que havia de mais rebarbativo produzido na América Central. Foi aí que Talinho Malino de Menezes e até mesmo a experiente e sempre louvada Maninha de Matos Sampaio aderiram às propostas dos portorriquenhos e passaram a compor seus trabalhos, segundo normas dos dois,que cagavam regras e patrocinavam viagens dos brasileiros a Porto Rico. Talinho, numa dessas viagens , embriagado pela gaiva dos estrangeiros, ao voltar a Bahia, cheio de ritmos antilhanos, passou a compor guarachas e rumbas, sempre obedecendo ordens dos patrocinadores. Por essa época já havia escrito e publicado ‘História da Música no Sertão Baiano’, que mesmo com prefácio de Maninha de Matos Sampaio, não evitou de ser vivamente malhado por Aristarco Vieira de Melo. Talinho, instigado por Dona Berenice escreveu um novo livro : ‘A Música em Porto Rico’, um trabalho sem consistência, que ao ver de Aristarco Vieira de Melo, ‘estava além do ridículo’ . Passando a ser alvo das ferrenhas alfinetadas do jornalista. Isso fora a gota d’água que reacendeu ódios quase mortais, dos portorriquenhos, contra o editorialista. Diziam as mas línguas que chegaram a tramar um plano para matar Aristarco,que por sua vez, possuía muitos desafetos em toda a redondeza. Aristarco não se acovardou diante das ameaças e redobrou as críticas. Sempre que se referia a Talinho Malino de Menezes no seu jornal, não se esquecia de chamá-lo de ‘o caribenho de Madame Berenice’, lançando semanalmente estocadas cruéis , tanto no compositor e sua música,como no seu livro, patrocinado pelos mecenas caribenhos,que redundou em verdadeiro fracasso.Nessas catilinárias o escriba de ‘Os Sertões’ não se esquecia de alfinetar também Maninha de Matos Sampaio e seu novo livro, de ‘estilo duvidoso, fina flor da mediocridade’. Os insultos foram crescendo de ambos os lados. Os disse-que-me-disse corriam mundo.Aristarco levava sempre a melhor, por ser um excelente jornalista e saber dizer as coisas com graça e leveza,que contaminava qualquer leitor,mesmo os admiradores mais ferrenhos de Talinho Malino de Menezes. Os Sertões , que saía aos sábados,era disputadíssimo,onde se lia as tiradas contra Talinho e sua ‘turma caribenha’, que se reunia no Bar da Orgasmunda Pereira Cruvaldina, ali na Praça das Boiadas, em frente ao Bar do João Emílio Krauser, ao lado do Atelier do pintor/escultor João Alberto Tessarini, ninho dos simpatizantes de Aristaco Vieira de Melo. As coisas foram se azedando e num sábado, véspera de Natal, após Curiapeba se rir à bandeira despregada das tiradas estampadas em Os Sertões, contra Talinho Malino de Menezes e seus patrocinadores, os agredidos,não suportando a chalaça do jornalista , esperaram que esse desse as caras no Bar do João Emílio Krauser, o que aconteceu logo após o meio dia, justamente no auge da feira, a fim de darem lhe um corretivo memorável. Os simpatizantes de Talinho Malino de Menezes, tendo a frente os famanazes João Cachorro,Virgolino Bodão, Tuntunca Muquirana,Felipe Cana Doce ,Coreiro e mais alguns cabras marginais da região, agrediram o jornalista com pontapés e empurrões, até que o mesmo, após muito deixa-disso por parte dos presentes, evadiu-se já bastante machucado e refugiou-se numa sala dos fundos do bar. Mesmo assim,o furdunço não parou e as facções se esguelavam, cada qual defendendo o seu líder. Muitos feirantes entraram na briga e foi um verdadeiro Deus nos acuda , provocando um terrível corpo a corpo no meio da praça , que deixou braços fraturados, caras quebradas, barracas destroçadas ,com bandas de porco e bode,sacos de farinha,fava,rapadura,potes,quartinhas,imagens do Senhor Bom-Jesus-da-Lapa,Padre Cícero,Senhora Sant’Ana e tantos outros objetos destroçados,que nem se por ali estivessem passado uma boiada uma boiada. Talinho teve uma perna luxada, Maninha de Matos Sampaio , por querer apaziguar os ânimos, recebeu uma porrada tão grenada, que lhe extraiu dois dentes superiores. Virgolino Bodão recebeu um tremendo cangapé nos quibas,que o deixou às portas da morte. A Praça das Boiadas v irou um verdadeiro campo de guerra. O advogado Wasculatório Toneleiro Waluá, por ser umsujeito metido a besta, antipático,não entrou na briga,mas como ia passando pelo local na hora, acompanhado pelo pastor Genocídio Geronso Garrafino,que acabara de sair da ‘Igreja Jesus Virá,Aleluia!...’recebeu um vibrante trompaço, não sabendo mesmo de onde viera,que o deixou desacordado. Foi aí que o Cabo Faconeres de Oliveira, juntamente com seus soldados, entraram em cena, distribuindo cacetadas medonhas a torto e a direito, a fim de por um basta naquela baderna generalizada. A coisa quase fora de controle,só teve fim quando o Coronel Benvindo dos Santos Arruda Real, da sacada do seu sobrado, deu alguns tiros de trabuco e fez com que os ânimos se arrefecessem . Qauando a poeira baixou, deram por conta que haviam dois mortos entre os feirantes e o jumento Marinheiro, do velho Cosme Theobaldo Caçapeva, tinha sido esfaqueado e agonizava num canto da praça. Enfim,uma pequena arenga entre dois intelectuais de respeito da cidade,provocou um tentepá dos diabos, só comparado aos furdunços homéricos,dos tempos dos Coronéis Dromedário Carmelinho e Quincas Boaventura Medrado e Silva, homens de cabelos nas ventas, capazes de matar e morrer em nome dos seus próprios interesses e das suas facções políticas.
Toca-Filosófica,24/09/2005 (Inverno)
Escrito por Genocídio Geronso Garrafino às 21h24
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TUNTUNCA MUQUIRANA COMPÕE
(Para Valdecirio Teles Veras)
Tuntunca Muquirana, maior tocador de triângulo de Curiapeba, apaniguado de Maninha de Matos Sampaio e do prefeito Antonio Políssilabo Saraiva, naquela manhã ensolarada, cheirando a flores de umbu, manga emaracujá, após passar a noite em claro,ao lado da sua esposa, Dozinha Ramahoje Adelatrove de Jesus Malhado, num zero a zero preocupante, que já vinha se arrastando há semanas, com fortes dores no espinhaço, gosto de cabo de guarda – sol na boca, foi a privada,lavou o rosto,escovou os dentes,tomou uma xícara de café forte,sentou-se à mesa da sala e compôs o melhor baião de sua vida : ‘Mulé Ingrata’:-‘Mulé , eu não suporto mais a tua ingratidão/Serpente venenosa do fundo dosertão’. Leu, releu,burilou aalgumas arestas e em seguida cantou toda a melodia,agora acompanhada pela batida do triângulo. Constatou que havia composto uma obra prima e se aprontou, quase que em êxtase, esperando que a noite descesse a fim de ir ao Bar do Jão Emílio Krauser, ali na Praça das Boiadas, perto do Atelier do pintor/escultor João Alberto Tessarini e da ‘Igreja Jesus Virá,Aleluia!...’,onde Talinho Malino de Menezes fazia ponto,suibmeter a sua mais nova criação ao maior compositor e sanfoneiro da Chapada Diamantina baiana,autor de um livro intitulado ‘História da Música no Sertão Baiano’. Que ,diga-se de passagem,tinha endosso de Maninha de Matos Sampaio em forma de prefácio (o que não evitou de ser rechaçado pela língua viperina do morfético Aristarco Vieira de Melo,majorengo insuportável, que assinava uma coluna em ‘Os Sertões’) , lhe deitasse um arraanjo que só ele sabia dar.
Toca-Filosófica,3l/05/2005
Escrito por Genocídio Geronso Garrafino às 21h20
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DEUS, O RIO, OS MACACOS E AS BANANAS
‘Deus não criou o mundo pronunciando palavras sagradas?’ Isaac Bashevis Singer
Faz de conta que foi na primeira semana da criação do mundo,quando o moço Deus meio abestalhado com o que havia criado, olhava lá de cima, do milésimo nono andar de um céuzão azul marinho (também obra da sua imaginação) em busca das várias imperfeições de sua criação, a fim de melhorá-las. De início, notou que, em uma das margens do Tamanduateí ,havia colocado uma mata rala,que mais tarde veio a se chamar de Mata Atlântica , povoado por um bando de macacos e bem-te vis e, do outro lado, colocou um terrenão vermelho que quando o vento dava, levantava um vendaval de poeria no ar. Deus , do seu aposento preferido lá do céu , tirou uma baforada do charutão ‘Bunda de Anjo Barroco’ (do qual Cuba, bem mais tarde, copiou a patente, isso para o regalo de alguns políticos barbados e temperamentais) e resolveu consertar a sua criação na hora, arborizando assim o lado direito do rio .Com esta intenção na cabeça foi à despensa do apartamento (naquele tempo os apartamentos tinham despensa) e voltou com uma das mãos cheia de umas sementinhas quase invisíveis: pretas, pardas, grafites. Debruçou-se na soleira do apartamento e num gesto vigoroso, lançou as sementinhas, de maneira que as mesmas, ajudadas pelo vento, atingissem toda a extensão do rio. - Chuááááááá!... De uma noite para o dia, as bananeiras nasceram e frutificaram. Bananas de todas as vicidades : nanicas, caturras, nanicões, maçãs,São Tomé, pratas, de café, ouro e tantas outras.Os macacos, ao sentirem o cheiro bom das bananas, ficaram excitadíssimos. Um macacão barrigudo, que se chamava Tangolomão e que, por sua vez, andava sempre irritado e não gozava de simpatia por parte dos seus colegas por ser mandão, arrogante, invejoso, frustrado, um desses tipos donos da verdade absoluta, ficou desesperado com o acontecido e passou a blasfemar contra Deus por não lhe permitir comer as bananas . Convém dizer que macaco não sabe nadar e Tangolomão passava os dias e as noites sentindo o cheiro das bananas ,caminhando e gritando do nascedouro do rio a foz, sem nunca encontrar uma brecha ou uma ponte que o conduzisse à outra margem. Deus-Nosso-Senhor-Jesus-Cristo, lá de cima, sempre mamando o seu charutão ‘Bunda de Anjo Barroco’, contempla malandramente a cena e se esborracha de rir da ingenuidada do macaco. Numa noite ,Deus mandou a primeira tempestade sobre a terra, tempestade essa que derrubou um frondoso pau brasil que havia no lado esquerdo do Tamanduateí. Tangolomão, ao ver o grande madeiro tombado sobre a água ,pensou consigo mesmo: ‘É agora que vou passar para a outra margem e tirar a barriga da miséria, comendo aquele mundaréu de bananas madurinhas , madurinhas (ai,gostosura!...) - Lambeu a linguona vermelha e, num átimo,lançou-se em cima do tronco, a fim de chegar ao outro lado, o mmais rápido possível. Ledo engano. Para sua decepção,o pau só atingia o meio do rio. Tangolomão quase teve um ataque cardíaco ao perceber que a ponte chegava ao fim. O macaco passou a pular desesperadamente e a urrar em cima das galhas finas da árvore . Por fim, já muito irritado e rouco de tanto blasfemar contra Deus e sua mãe, a Santíssima Virgem do Rosário Perfumado com palavrões de baixo calibre, os mais cabeludos ,talvez aprendidos comn o homem, rolou do ramo e caiu estatelado no meio das águas revoltas, descendo de roldão, empurrado pela correnteza braba,que o lançava sem dó nem piedade de um lado para outro, ora contra os barrancos gosmentos e esverdinhados do rio, ora contra pedras, barrancos de areia e outros empecilhos que haviam no meio daas águas. Após se debater por um bom tempo, foi lançado por uma onda raivosa para o mesmo lado de onde havia saído momentos antes.Tangolomão, ao pôr os pés na margem do rio,em vez de agradecer logo a ‘Deus-Nosso-Senhor-Jesus-Cristo’ por tudo, gemeu, sacodiu-se, contorcendo-se de dor, quando recebeu uma ruidosa vaia por parte dos seus colegas que não lhe eram simpáticos.Limpou uma lagrimona grossa e azul marinho do canto do olho esquerdo, passou as costas da mão nas ventas espalhando uma meleca amarela e disse com seu vozeirão de baixo profundo, agora um tanto embargado pelo choro: - Pois é, macacada. Caí do pau, me molhei todinhozinho da silva, quase morro de beber água e de apanhar nas curvas desse rio danado, tudo por causa de uma porcaria de uma fruta de que eu nem gosto.
Toca-Filosófica,09/04/2002
Escrito por Genocídio Geronso Garrafino às 21h13
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AI,JESUS,ARRASOU!…
Para Juvenal Theodoro
Vespéra de Natal.A pequena Curiapeba regurgitava de gente.Os filho dos coronéis do sisalvoltavam deSalvador e de Aracaju,para as smerecidas férias de fim de ano.Os turistas do sul,em visitação ao Nordeste,atraídos pela beleza da região diamantífera baiana,queria tudo ver.Maninha de Matos Sampaio,que já havia feito um trabalho de pesqueisa e relevo sobre as religiões no Brasil,coletando vasta documentação em Curiapeba, agora escarafunchando todos os becos em busca de Centro Espírita,Mesa Branca,Casa de Xangô e o Diabo-a-quatro.
Sempre acompanhada por uns tipinhos barbudinhos,mal vestidos,temperamentais,da USP. O certo é que Curiapeba ficava muito agitada durante esses meses de fim de ano.Tudo era visto,fotografado,esmiuçado.Uns tais de brasilianistas,que se encataram pelas festas populares do sertão,queriam saber tudo a respeito das catiras,dos fandangos,dos baiões e dos reisados. Um certo Bill William,da Universidade de Nevada,resolveu protelar a sua astadia na cidade até o início do ano novo,a fim de de ver o reisado,que teria início no dia 6 de janeiro.Bill,com seu português estropiado,entoava trechos da música de folia de reis, sempre comendo frases inteiras da letra: - “Oh de casa, oh de for a, Santo Reis aqui chegou,ai,ai,meu Deus! Santo Reis aqui chegou,ai,ai!…” Isso tudo para cchalaça dos curiapebanos,que não perdiam a oportunidade para imitar o passo desengonçado e a voz ridícula do gringo. Os padres Cosmorâmico Canindé e João Tracajá se desdobravam nas suas satividades paroquiais,pedidno donativos para as festanças que se aproximavam. Walcírio Toneeleiros Waluá,um dos melhores prefeitos de todos os temposss, transformava e promovia Curiapebaem uma das cidades mais promissoras do Estado,seguindo os passos do seu aantecessor,Antonio Polissílabo Saraiva,que deu início á nova era em Curiapeba.O Ceerto é que tudo crescia e prosperava a olhos vistos e cada morador se orgulhava de sua acidade,mesmso aqueles que fizeram campanha contra a candidatura de Walcírio Toneleiros Waluá,caso do jornalista Aristarco Vieira de Melo,de ‘Os Sertões’,que aos poucos,por não ser um um sectário,um dono da verdade ainda reticente, já via com bons olhos a adminisrtração do novo alcaide. Foi numa dessas manhãs de domingo,festiva e ensolarada, que João Xexéu, recem convertido à ‘Igreja Jesus Virá,Aleluia!...’, após assistir a um culto fervoroso e aleluiado, dito pelo pastor Genocídio Geronso Garrafino, foi ao banheiro (infelizmente, ao masculino) retocou a pintura, o rímel dos olhos, arrumou a bolsinha inseparável, segurou a ‘Palavra de Deus’ graciosamente entre a ponta do fura bolo e o mata piolho e saiu do templo do Senhor, queimando dew fé , com seus passinhos graciosos, que até fazia lembrar uma dama da alta ssociedade. Xexéu era uma graça na sua calça preta de laicra coladinha ao corpo,sua blusinha amarela fosforescente, de generoso decote e os sapatos Luiz XV, um arraso para o lugar. Aprendeu esses sestros quando esstivera em São Paulo,onde vivera por aalguns tempos numa pensão barata de bichas. João Xexéu era de família tradicional de Curiapeba . Por parte de pai, descendia dos Caambaxirra,que dera gente do naipe do velho Clitério Cambaxirra de Jesus Malhado,o famoso Cu-de-Fogo, e por parte da mão, Vinha dos Justiniano Martelete, ramo que já havia fornecido juízes,advogados e políticos carismáticos, de voz redonda,para a glória de Curiapeba. O certo é que João Xexéu,após retornar do Sul, com seu comportamento,foi rejeitado pelos parentes e, daí por diante, passou a fazer de um tudo para desmoralizá-lo em praça pública. Tornou-se um revoltado gratuitamente e fazia os maiores escãndalos por dá-cá aquela palha. Até que um dia , ao passar pela Praça das Boiadas e ouvir a gritaria dos fiéis no templo da Igreja Jesus Virá,Aleluia!..., resoslveu entrar , com a finalidade de provocar um banzé memorável, e, se possível, cuspir na cara do pastor,que exortava, seus fiéis com palavras duras, carregadas de fim de mundo,de fogo do Inferno; isto entre um aleluia ! e um apelo para angariar dinheiro, animais e terreno. Xexéu, a exemplo de Santo Agostinho, em Roma, ao ver Santo Ambrósio, ao topar o pastor Genocídio GeronsoGasrrafino converteu-se ali mesmo e tornou-se , a partir de então, um verdadeiro fanático religioso. Só que não abandonou seus hábitos e trejeitos aprendidos em São Paulo. Por mais que o pastor Genocídio Geronso Garrafino o aconselhasse,não abria mão dos trejeitos; gostava um bocado das suas calças efeminadas, da pintura, do rímel (não sabia viver sem rímel). Afinal, não seria por essas pequeninas insignificâncias que ‘Deus-Nosso-Senhor-Jesus-Cristo’ iria lhe fechar as portas do céu na cara. Nesse domingo, como já foi dito, após tomar a Rua Rumo ao Sertão Alto, onde morava, num sssitiozinho dos pais, ouviu uma gritaria medonha ao seu lado e ao voltar-se para ver de que se tratava,deparou-se com um velho caminhão,carregado de jogadores,que gritavam em coro: - Bicha! Bicha! Bicha!... Outros mais atrevidos e com vocabulário mais vasto, se esgoelavam : - Aí , xibungão! Baitola! Boneca deslumbrada! Macho-franga!... João Xexéu, sem perder a pose efeminada,sempre nos seus passinhos bem cadenciados, deu um retoque na vasta cabellleira negra,suspendeu a ‘palavra de Deus’ de encontro aos incréus e gritou : - O sangue de Jesus tem poder!... Nisso, o motorista, um galalau espadaúdo e um dos mais empenhados em desmoralizar Xexéu, (afinal era seu primo), pedeu a direção do carro e foi chocar-se contra um poste da rua,esmagando a frente do velho Ford cara branca. Aí foi a glória para Xexéu, que pondo as mãos para o céu, num gesto de agradecimento ao Senhor, pulou e gritou com voz esganiçada e estridente satisfação: - Ai,Jesus, arrasou!... Ai, Jesus,arrasou!... Em seguida, olha os jogadores com piedoso desprezo e sai com seus passinhos miúdos, cadenciados, martelando com seu Luiz XV as pedras mal lapidadas do calçamento,em rumo do Sertão Alto,onde ao chegar em casa ,dobraria os joelhos em terra e agradeceria ao Senhor pela vitória.
Escrito por Genocídio Geronso Garrafino às 21h09
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O HOMEM QUE LIQUIDOU UM TROVÃO
Delorido da Silva, uma espécie de capataz da fazenda Ouricuri do Norte, num Sábado,após a feira em Curiapeba, montou sua burra cardã e seguiu viagem rumo à fazenda. Após alguns goles de catilóia deixou a cidade já ao anoitecer ,com o brilho estranho, fantasmagórico,de uma meia-lua mofina,que anunciava chuva dentro de alguns instantes. O tabaréu vestiu a capa boiadeira, que trazia na garupa da sela,a fim de proteger da chuva o clavinote,que carregava para o caso de uma emeergência. Já havia cortado muito sertão, quando,uma chuva torrencial com muitos ventos, raios,relâmpagos e trovões,desabou sobre a terra,deixando o viajante apreensivo.A certo ponto da estrada, após um relâmpago incendiário ter cortado o céu de norte a sul,avistou à sua frente duas montanhas em forma de bola de neve,uma monumental,grandalhona,estúpida e outra menorzinha, que tomava quase toda a totalidade da estrada.O homem ao se aproximar das inusitadas bolas teve a impressão de não haver condição de passagem,pois a bola grande tomava mais da metade do caminho e a menorzinha,por sua vez, não lhe permitia esgueirar-se pelo lado direito do terreno,que era esconso,despenhoso.Delorido da Silva muito assustado,indagou como se interrogasse uma pessoa: -Quem vem lá? É de paz?… Nenhuma resposta.Mas a seu vê,as bolas passaram a se mover em sua direção.Teve mesmo a sensação de ter ouvido estas palavras vindas de uma delas: -Pega ele,pega ele!… Delorido da Silva,que há muito já estava de cabelos arrepiados,não vacilou um só minuto,puxou o clavinote de debaixo da capa e atirou na bola menor,que produziu um forte estrondo,acompanhado de uma luz azulada, que jogou o homem juntamente com a alimária, a alguns metros de distância,em cima de uns pés de unha-de-gato.Em seguida,após levantar-se todo enlameado por um barro vermelho,pegajento,apanhou a espingarda e cautelosamente aproximou-se da Segunda bola,onde constatou,segundo suas conjecturas de matuto,tratar-se de um trovão caído e não explodido,que ao ser ferido pelas balas do clavinote,sofreu a desintegração,deixando o homem horrorizado e ao mesmo tempo agradecido a São Roque e Senhora Sant’Ana,padroeira do lugar,por não ter ele atirado logo de cara no trovão maior, de explosão fulminante,que por cert lhe acabaria de uma vez por todas.
Escrito por Genocídio Geronso Garrafino às 21h05
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Dromedário Carmelinho
Aristides Theodro
Dromedário Carmelinho, Homem Muito Temido E Respeitado Em Todo O Sertão De Ouricuri Do Norte, Devido Às Arruaças , Sempre Dizia,Por Cima De Seu 1.90m E Por Trás Da Vastidão De Seu Bigode, Que Filho Do Velho Carmelinho Do Ouricuri Do Norte Morria Sem Gemer Na Ponta Da Faca Cega, Se Preciso Fosse, Mas Não Levaria Desaforo Para Casa. Num Sábado, Na Feira De Curiapeba, Por Questão De Udn E Pesd, De Desentendeu Com Um Certo Fifó Rego, Sujeitinho De Maus Bofes, Que No Calor Do Bate-Boca, Lhe Espalmou Os Nós Dos Cinco Dedos No Pé Do Ouvido. Dromedário, Que Não Era Visto Com Bons Olhos Pelos Capiaus, Devido À Sua Pretensa Valentia, Levantou Do Primeiro Tombo E, Ao Se Aprumar E Fazer Mensão De Puxar O Punhal Que Trazia Por Debaixo Da Camisa, Levou Um Cangapé Nos Quibas E Um Enorme Trompaço Na Boca,Que Fez Dois Dentes Voarem A Respeitável Distância. Fifó Rego, Debaixo Do Peso Dos Aplausos Dos Presentes, Cresceu Talqualmente A Serra Do Itiúba,Tomou O Punhal De Dromedário, Arrebentou-O Ao Meio, Jogou Os Pedaços Aos Pés Do Dono E Aplicou-Lhe Mais Alguns Pescoções Corretivos, Quando Foi Aparteado Pela Cabroeira Do Deixa-Disso,Que Conduziu Dromedário Todo Esbandalhado Em Direção À Sua Montaria,De Onde Desapareceu Inesperadamente. Uns Dizem Que Ele Foi Pra São Paulo E Outros Afirmam Que Dromedário Carmelinho Foi Pro Amazonas, Brigar Com Matas E Sucuris.
Escrito por Genocídio Geronso Garrafino às 21h00
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NUM TREM DA FEPASA AO CAIR DA TARDE
O carro enorme como uma raposa fulva deixa a Estação da Luz l7h45 e se põe a correr. Apita na curva a linha afrange o aço range o gaiato ri a moça paquera e a lagartona de aço fura a neblina. Novo apito na curva mais uma encoxada, a moça bufa,estrila e a maquinona indiferente vaara a noite opalina molhada pela garoa fina veloz em direçãao à serra atravessa seis cidades roncando o mesmo refrão: o dia se vai a noite vem o dia se vai a noite vem o dia se vai a noite vem E nesse galope medonho vai desovando sua larva horrenda por todas as estações da Luz ao Rio Grande da Serra.
Escrito por Genocídio Geronso Garrafino às 12h27
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